Cirurgia do Pterígio PDF Imprimir E-mail

O pterígio consiste em um crescimento de tecido fibrovascular semelhante à conjuntiva sobre a córnea do olho. É conhecido popularmente como “carne crescida”, “vilídea” ou, às vezes, é erroneamente denominado de “catarata”. No entanto, pterígio e catarata são patologias distintas. Seu nome tem origem grega e significa "em forma de asa".

O pterígio deixa o olho vermelho, o que costuma resultar, por parte dos pacientes, em queixa por motivo estético. Também são freqüentes os sintomas de ardência, irritação, sensação de corpo estranho, queimação e outros relacionados às desordens da superfície ocular. Quando o crescimento sobre a córnea ultrapassa 3mm, há distorção da curvatura corneana, com repercussão sobre o erro refracional. Se negligenciado, pode, ocasionalmente, aumentar ainda mais encobrindo parcial ou totalmente o eixo visual.

Os motivos que levam os pacientes a desejarem a remoção cirúrgica da lesão se referem à estética e à sintomatologia. A indicação do oftalmologista pela realização do procedimento é feita quando há ameaça real à visão ou se esta já se encontra comprometida. O pterígio que ultrapassa a margem da córnea em 2,5mm deve ser removido por razões médicas.

Diferentes técnicas cirúrgicas podem ser utilizadas. No entanto, principalmente em locais onde existe maior incidência de radiação solar, fator mais implicado no crescimento do pterígio, uma vez decidida por sua remoção, a técnica que utiliza o transplante conjuntival (exérese de pterígio e reconstrução com transplante de conjuntiva) é a que apresenta as menores taxas de recidiva (novo crescimento do pterígio após sua remoção cirúrgica), demonstradas em vários estudos realizados em diferentes partes do mundo. Aliás, a recidiva é o maior obstáculo a ser vencido, e constitui a principal complicação da cirugia de remoção do pterígio. A técnica de transplante conjuntival proporciona excelente resultado estético e taxa de recidiva muito baixa, podendo chegar e  alguns casos a níveis de 10%. Outras técnicas mais antigas, como a técnica de esclera nua (conhecida como raspagem), proporcionam taxas de recidiva elevadas, ocorrendo em acima de 50% ou até 80% dos casos em diversos estudos, o que levou praticamente ao seu abandono. As recidivas quando ocorrem são motivo de grande contrariedade por parte do paciente e do Oftalmologista.

Para diminuir a possibilidade de recidiva foram associadas várias alternativas, que se mostraram eficazes, porém apresentando um potencial para complicações graves. O uso de radiação (Betaterapia) ou drogas como a Mitomicina, Tiotepa e 5-Fluoracil podem levar a afinamentos corneano e escleral, necrose escleral, perfurações, retardo de epitelização e ulcerações corneanas, retrações conjuntivais (simbléfaro) e, até mesmo, catarata,  e por isso devem ser indicadas com critério.

Nem todos os casos podem ser operados com transplante de conjuntiva. Quando existem dois pterígios no mesmo olho, um nasal e outro temporal (um "do lado de fora" e outro "do lado de dentro" do olho), quando muito extenso e não existem áreas doadoras de conjuntiva sã, quando existem simbléfaro ou cicatrização conjuntival acentuada, quando pode vir a ser necessária no futuro uma cirurgia filtrante (cirurgia para glaucoma), o transplante de conjuntiva não deve ser realizado.

Casos como os acima citados podem ser realizados utilizando-se a membrana amniótica humana obtida de parto cesariano. A membrana amniótica possui propriedades únicas – inclusive antimicrobiana, anti-inflamatória, anticicatricial e antiadesiva – e é considerada uma excelente opção quando não existe área doadora de conjuntiva, apresentando índices igualmente baixos de recidiva do pterígio.

Uma outra técnica cirúrgica de remoção do pterígio que proporciona excelente resultado estético associada a taxa de recidiva muito baixa é a rotação de retalho conjuntival. Nesta técnica a conjuntiva superior (bulbar superior) é rodada para ocupar o leito do pterígio previamente ressecado.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Qual a sua técnica cirúrgica para remoção do pterígio?

Transplante de conjuntiva para reconstrução do leito escleral.

Como é feito o transplante de conjuntiva?

A cirurgia é um pouco trabalhosa, dura cerca de 40 minutos a uma hora, contra cerca de 15 minutos da técnica de esclera nua. No entanto, o esforço compensa. A anestesia do olho é feita somente com colírio. Após a remocão do pterígio,  a conjuntiva doadora é retirada do quadrante supero-temporal e suturada, com fios finíssimos, no leito escleral.

E a recuperação, é rápida?

Para assegurar a que o transplante não seja perdido, o curativo pode permanecer por 2 a 5 dias. Os pontos são causa de irritação leve até o início de sua remoção, ao final da primeira semana. O transplante assume um aspecto normal em cerca de 30 dias.

Se não for possível fazer o transplante de conjuntiva, qual a opção?

Nesses casos, que são muito poucos, as melhores opções são a rotação de retalho conjuntival do limbo superior e a utilização da membrana amniótica humana. As cirurgias são parecidas. A baixa recidiva também.

Como é conseguida a membrana amniótica?

Pode-se obter a membrana amniótica de qualquer parto cesariano desde que haja, comprovadamente, ausência de infecções. Preferimos, contudo, adquiri-la de empresa idônea que nos assegura da ausência de infecções maternas, como: HIV, hepatite, sífilis, patologias sistêmicas, etc. É um custo a mais, mas que tem seu real valor.

FOTOS (Remoção do pterígio e reconstrução local com transplante de conjuntiva) obtidas a título de ilustração provenientes de outro colega.

Na primeira foto, vê-se o aspecto pré-operatório do pterígio que invade a córnea em 3 mm; ao lado, no 5º dia de pós-operatório, observa-se o enxerto com suturas, bem posicionado, e ainda vermelho; na terceira, quatro semanas de pós-operatório, logo após a remoção dos pontos; na ultima, vê-se o aspecto final excelente.